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Pejotização e Segurança Jurídica: Os Impactos das Decisões do STF e do TST e o Tema 1389

por Eduardo Giuliani Marcondes Rocha

A contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas — a chamada pejotização — consolidou-se como uma das estratégias de eficiência operacional mais relevantes para o mercado corporativo moderno. Contudo, a linha que separa a legítima estrutura contratual do risco de passivo trabalhista tem sido objeto de intensa discussão nos tribunais brasileiros.

A compreensão das divergências jurisprudenciais entre o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Supremo Tribunal Federal (STF) é fundamental para a governança corporativa e a mitigação de contingências das empresas.

O Cenário Atual da Contratação PJ no Mercado

A contratação de pessoa jurídica (PJ) costuma envolver posições de grande especialização, tais como diretores estatutários, médicos, engenheiros de dados, consultores estratégicos e desenvolvedores de tecnologia.

No entanto, a validade dessas estruturas de contratação frequentemente enfrenta o crivo da Justiça do Trabalho. Sob a ótica dos artigos 2º e 3º da CLT, a descaracterização da prestação de serviços (e caracterização do vínculo de emprego) ocorre quando são identificados, na prática cotidiana, os elementos da relação de emprego, quais sejam:

  • Subordinação jurídica: dependência direta de ordens e diretrizes da contratante;
  • Pessoalidade: impossibilidade de o profissional ser substituído por terceiros;
  • Habitualidade: continuidade e regularidade na prestação dos serviços; e
  • Onerosidade: contraprestação financeira habitual.

A identificação, na prática, da sutil fronteira entre a autonomia do prestador e a subordinação exige uma consultoria trabalhista empresarial preventiva e altamente especializada.

Divergência Jurisprudencial: TST vs. STF

A insegurança jurídica que paira sobre o tema decorre de uma clara divisão de abordagens jurídicas entre as cortes superiores do país em matéria de Direito do Trabalho, o TST e o STF.

A Visão Tradicional do TST

Historicamente, o TST adota o princípio da primazia da realidade. Se os requisitos da CLT estiverem presentes no dia a dia, a corte tende a declarar a nulidade do contrato civil (contrato de prestação de serviços, contrato de consultoria e afins), determinando o reconhecimento de vínculo empregatício e o consequente pagamento de verbas reflexas e incidências tributárias e previdenciárias que podem chegar a valores milionários.

A Orientação Liberal do STF

Em contrapartida, o STF tem liderado um movimento de preservação da livre iniciativa e da livre organização dos fatores de produção. Por meio de instrumentos como a ADC 48 e a ADPF 324, a Suprema Corte vem cassando decisões do TST, validando a terceirização e a pejotização de profissionais hipersuficientes, desde que ausente a fraude flagrante.

Ao julgar casos envolvendo pejotização, terceirização ou contratação de autônomos, o STF costuma empregar o conceito de hipersuficiência em sentido amplo, considerando hipersuficientes profissionais que possuem elevado grau de autonomia econômica, técnica e negocial.

Tema 1389 da Repercussão Geral e o Andamento dos Processos

Em abril de 2025, o STF reconheceu a repercussão geral do Tema 1389, que discutirá os critérios para análise da validade da contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas e os limites da atuação da Justiça do Trabalho nesses casos.

Embora os processos tenham sido inicialmente suspensos em âmbito nacional, decisão posterior do Ministro Gilmar Mendes esclareceu que a suspensão deverá ocorrer apenas após o julgamento pelos Tribunais Regionais do Trabalho. Assim, os processos continuam tramitando nas instâncias ordinárias enquanto se aguarda a definição da tese vinculante pelo STF.

Essa manutenção do fluxo processual nas instâncias ordinárias exige das empresas proatividade na revisão de suas estruturas. As fiscalizações, auditorias e produções de provas continuam avançando ativamente em todo o país enquanto a tese vinculante final da Suprema Corte é aguardada.

Mitigação de Riscos e Governança Corporativa

Em um ambiente de transição jurisprudencial, a inércia representa risco financeiro e reputacional relevante. Dentre as medidas que podem ser adotadas pelas empresas, podemos destacar:

  • Auditoria contratual e operacional (due diligence): avaliação de contratos vigentes e da rotina prática dos respectivos prestadores;
  • Adequação de fluxos de comunicação: alinhamento da cultura corporativa para eliminar traços de subordinação direta na gestão de PJs; e
  • Pareceres jurídicos customizados: emissão de matrizes de risco específicas para contratações de alta relevância (C-Level e posições-chave).

Advocacia Trabalhista Estratégica

MMR – Mastrocola Marcondes Rocha Advogados assessora empresas na estruturação e revisão de modelos de contratação, análise de riscos trabalhistas, auditorias internas e na defesa em disputas envolvendo pejotização, reconhecimento de vínculo empregatício e contratação de prestadores de serviços.

Nossa atuação combina visão preventiva e estratégica, permitindo que nossos clientes adotem modelos de contratação alinhados à legislação e à evolução da jurisprudência dos Tribunais Superiores, mitigando, assim, riscos e passivos trabalhistas.

Eduardo Giuliani Marcondes Rocha

Eduardo Giuliani Marcondes Rocha is a partner at MMR Advogados. He advises Brazilian and foreign clients on mergers and acquisitions, foreign investments, corporate law, commercial contracts and wealth planning. Eduardo holds an LL.M. from the University of Chicago and previously worked as an international associate at Holland & Knight in Miami and Washington, D.C. He has been consistently recognized by Análise Advocacia for his work in Business Contracts.

https://mmrlaw.com.br/wp-content/uploads/2025/05/logo-mastro-1.png 0 0 Eduardo Giuliani Marcondes Rocha https://mmrlaw.com.br/wp-content/uploads/2025/05/logo-mastro-1.png Eduardo Giuliani Marcondes Rocha2026-08-13 16:25:332026-08-13 21:46:40Pejotização e Segurança Jurídica: Os Impactos das Decisões do STF e do TST e o Tema 1389

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