Pejotização e Segurança Jurídica: Os Impactos das Decisões do STF e do TST e o Tema 1389

A contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas — a chamada pejotização — consolidou-se como uma das estratégias de eficiência operacional mais relevantes para o mercado corporativo moderno. Contudo, a linha que separa a legítima estrutura contratual do risco de passivo trabalhista tem sido objeto de intensa discussão nos tribunais brasileiros.

A compreensão das divergências jurisprudenciais entre o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Supremo Tribunal Federal (STF) é fundamental para a governança corporativa e a mitigação de contingências das empresas.

O Cenário Atual da Contratação PJ no Mercado

A contratação de pessoa jurídica (PJ) costuma envolver posições de grande especialização, tais como diretores estatutários, médicos, engenheiros de dados, consultores estratégicos e desenvolvedores de tecnologia.

No entanto, a validade dessas estruturas de contratação frequentemente enfrenta o crivo da Justiça do Trabalho. Sob a ótica dos artigos 2º e 3º da CLT, a descaracterização da prestação de serviços (e caracterização do vínculo de emprego) ocorre quando são identificados, na prática cotidiana, os elementos da relação de emprego, quais sejam:

  • Subordinação jurídica: dependência direta de ordens e diretrizes da contratante;
  • Pessoalidade: impossibilidade de o profissional ser substituído por terceiros;
  • Habitualidade: continuidade e regularidade na prestação dos serviços; e
  • Onerosidade: contraprestação financeira habitual.

A identificação, na prática, da sutil fronteira entre a autonomia do prestador e a subordinação exige uma consultoria trabalhista empresarial preventiva e altamente especializada.

Divergência Jurisprudencial: TST vs. STF

A insegurança jurídica que paira sobre o tema decorre de uma clara divisão de abordagens jurídicas entre as cortes superiores do país em matéria de Direito do Trabalho, o TST e o STF.

A Visão Tradicional do TST

Historicamente, o TST adota o princípio da primazia da realidade. Se os requisitos da CLT estiverem presentes no dia a dia, a corte tende a declarar a nulidade do contrato civil (contrato de prestação de serviços, contrato de consultoria e afins), determinando o reconhecimento de vínculo empregatício e o consequente pagamento de verbas reflexas e incidências tributárias e previdenciárias que podem chegar a valores milionários.

A Orientação Liberal do STF

Em contrapartida, o STF tem liderado um movimento de preservação da livre iniciativa e da livre organização dos fatores de produção. Por meio de instrumentos como a ADC 48 e a ADPF 324, a Suprema Corte vem cassando decisões do TST, validando a terceirização e a pejotização de profissionais hipersuficientes, desde que ausente a fraude flagrante.

Ao julgar casos envolvendo pejotização, terceirização ou contratação de autônomos, o STF costuma empregar o conceito de hipersuficiência em sentido amplo, considerando hipersuficientes profissionais que possuem elevado grau de autonomia econômica, técnica e negocial.

Tema 1389 da Repercussão Geral e o Andamento dos Processos

Em abril de 2025, o STF reconheceu a repercussão geral do Tema 1389, que discutirá os critérios para análise da validade da contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas e os limites da atuação da Justiça do Trabalho nesses casos.

Embora os processos tenham sido inicialmente suspensos em âmbito nacional, decisão posterior do Ministro Gilmar Mendes esclareceu que a suspensão deverá ocorrer apenas após o julgamento pelos Tribunais Regionais do Trabalho. Assim, os processos continuam tramitando nas instâncias ordinárias enquanto se aguarda a definição da tese vinculante pelo STF.

Essa manutenção do fluxo processual nas instâncias ordinárias exige das empresas proatividade na revisão de suas estruturas. As fiscalizações, auditorias e produções de provas continuam avançando ativamente em todo o país enquanto a tese vinculante final da Suprema Corte é aguardada.

Mitigação de Riscos e Governança Corporativa

Em um ambiente de transição jurisprudencial, a inércia representa risco financeiro e reputacional relevante. Dentre as medidas que podem ser adotadas pelas empresas, podemos destacar:

  • Auditoria contratual e operacional (due diligence): avaliação de contratos vigentes e da rotina prática dos respectivos prestadores;
  • Adequação de fluxos de comunicação: alinhamento da cultura corporativa para eliminar traços de subordinação direta na gestão de PJs; e
  • Pareceres jurídicos customizados: emissão de matrizes de risco específicas para contratações de alta relevância (C-Level e posições-chave).

Advocacia Trabalhista Estratégica

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Nossa atuação combina visão preventiva e estratégica, permitindo que nossos clientes adotem modelos de contratação alinhados à legislação e à evolução da jurisprudência dos Tribunais Superiores, mitigando, assim, riscos e passivos trabalhistas.